“Pessoas de cor deveriam fazer seus próprios Oscars”

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Eu estava navegando na internet após tomar conhecimento da lista dos indicados ao Oscar e, lendo os comentários de alguns internautas revoltados com a falta de representatividade na premiação deste ano, um comentário me chamou bastante a atenção: um ator escreveu “Pessoas de cor deveriam fazer seus próprios Oscars”. Após uma grande reflexão, resolvi fazer da afirmação desse ator o título do meu texto. Acredito que ser indicado ao Oscar é de uma grande alegria para quem trabalha com a arte e, infelizmente, a cada ano que passa, não sabemos se as atrizes e atores negros estão sendo indicados a premiação devido ao seu talento e o seu reconhecimento ou apenas porque a academia não quer ser apontada como racista.

Gostaria de trazer, no texto de hoje, vários títulos indicados ao Oscar de 2020 que abordam temáticas de interesse para o movimento negro ou que envolvem artistas da comunidade negra. Porém, isso não vai ser possível, já que de vinte e uma categorias que são consideradas como as categorias “principais”, apenas uma das categorias possui uma atriz negra (Cynthia Erivo) na corrida pela famosa estatueta de ouro, a qual foi indicada por sua atuação em um dos papeis que as produtoras de Hollywood mais gostam de ver nas telinhas — artistas negras vivenciando a época da escravidão. Não me levem a mal, eu amei o filme pelo qual a atriz foi indicado (o que deixarei uma sinopse no final do texto) e acho de extrema uma importância um filme dessa dimensão ser indicado, mas é impossível não se incomodar com a falta de artistas negras, latinas e asiáticas em uma época na qual temos diversos filmes com temáticas fortes e atores e atrizes aclamados pelas críticas o tempo inteiro e conquistados outros prêmios em premiações “menores” — como a atriz Lupita Nyong’o em Nós (Us), que foi declarada a melhor atriz de 2019 pela Associação de Críticos de Hollywood; o ator Eddie Murphy em Meu Nome é Dolemite! (Dolemite Is My Name); o ator Jimmie Fails por seu papel em O Último Homem Negro em San Francisco (The Last Black Man in San Francisco); e a cantora Beyoncé, que ficou de fora na categoria Canção Original com “Spirit”, trilha sonora do filme Rei Leão (The Lion King).

Existem os comentários do tipo “todo ano as pessoas reclamam pela falta de representatividade no Oscar”; acredito que todo ano temos que reclamar e lembrar desse silenciamento que ocorre, sim, bem como, subir hastags como #OscarSoWhite e #OscarSoMale — uma forma de protesto para chamar a atenção dos cineastas e dos fãs de cinema. Em 2019, a premiação bateu um recorde de diversidade ao indicar diretores negros e latinos e atrizes negras e latinas. Todo protesto é justo, até a premiação finalmente enxergar e parar de selecionar no dedo em qual ano terá mais indicações de mulheres negras como Melhor Atriz ou Melhor Direção, ou em qual ano um filme que fala sobre o combate ao racismo concorrerá como Melhor Filme do Ano.

A edição do Oscar desse ano acontece dia no 9 de fevereiro, às 22h. Mesmo com a falta de diversidade nas categorias, vamos torcer e conhecer um pouquinho as duas indicações que concorrem ao grande prêmio.

Harriet

Dirigido pela cineasta Kasi Lemmons, Harriet é um filme bibliográfico que conta a história da escravazida abolicionista Harriet Tubman, uma das mulheres mais importantes dos Estados Unidos. O filme conta com uma cenografia visual surpreendente e segue um enredo bastante eufórico. A cinebiografia demorou a ser lançada por ser tratar de uma produção delicada de se fazer; antes das escolhas definidas dos atores para o filme, o estúdio de cinema cogitou a atriz americana Julia Roberts para protagonizar o drama — sim, isso mesmo que você leu: queriam que uma mulher branca interpretasse uma ex-escravazida que ajudou milhões de escravizados a fugirem do sul dos Estados Unidos. Mas, felizmente, o estúdio percebeu o quanto seria errado escolher uma mulher branca para vivenciar uma negra tão importante para o país. Com isso, eles escolheram Cynthia Erivo, indicada pelo prêmio de Melhor Atriz do Ano e Melhor Canção Original com a música “Stand Up”.

Confira a música a seguir:

 

Hair Love

Indicado na categoria de Melhor Curta Animado, criado por Matthew A. Cherry e lançado pela Sony Pictures Animation, Hair Love é baseado em um livro e é uma explosão de fofura do começo ao fim. O curta metragem conta a história de Zuri, uma menina que quer muito fazer um penteado no seu cabelo crespo e acaba não conseguindo. Com isso, precisa da ajuda de seu pai para arrumar o seu cabelo, o que se torna um desafio e tanto. Hair Love é uma daquelas história que tocam o coração de todas as maneiras possíveis: de início você acha que é uma história engraçada, mas no final se pega com os olhos cheios d’água. O livro que inspirou o curta chega aqui no Brasil ainda neste ano e será lançado Editora Record.

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