Ele não! Ele nunca! Ele jamais!

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A poucos dias da eleição, dizer não ao retrocesso se faz cada vez mais necessário. Algumas questões podem nos ajudar a pensar essa regressão na prática: quais as possibilidades viáveis que essa candidatura oferece? Quem será representado e favorecido por meio de Jair Bolsonaro? Será que apenas homens brancos acreditam no discurso dessa ameaça política? Acredito que não. Existe uma característica comum que permeia a preferência ao candidato, principalmente, quando se trata de uma discussão que está no terreno político: uma angustiante e profunda ignorância histórica em geral, e da história brasileira em especial.

Apesar de um certo receio, tenho observado acontecimentos de extrema relevância que podem levar à derrota de Bolsonaro nas urnas. Além da histórica manifestação liderada pelas mulheres em várias partes do Brasil, no dia 29 de setembro, é importante relatar que a maior parte das mulheres periféricas rejeitam o candidato. Falo isso com base na minha experiência diária dentro da periferia; o que existe é uma indecisão sobre quem escolher nas urnas, mas o posicionamento contra o discurso de ódio é concordante em certa medida. Minha mãe, minha tia, minhas companheiras de luta dizem “Ele não!”, justamente porque entendemos o que Jair Bolsonaro representa: um risco à democracia – para ser mais exata, um risco aos poucos direitos que ainda nos restam.

Ainda que eu tenha feito um recorte muito otimista sobre o eleitorado feminino do candidato, é inegável que a periferia, que é composta por diversas pessoas com diferentes ideologias de vida, orientações sexuais, raças e etnias, constituirá uma grande porcentagem do total de votos. Tenho inúmeros exemplos para ilustrar isso. O que eu não consigo entender é como uma candidatura que ofendeu e ofende constantemente pessoas negras, mulheres, indígenas, homossexuais e militantes que lutaram contra a ditadura militar encontra espaço e ganha voz.

Existem incontáveis provas que mostram como o discurso de Bolsonaro é completamente contrário e indiferente à vida periférica e favelada. Ele advoga, por exemplo, a morte de inocentes. Em uma de suas entrevistas mais conhecidas, o candidato apoia matar 30 mil pessoas que a ditadura não matou, e diz: “Se vão morrer alguns inocentes, tudo bem”. Ele ainda diz, nessa mesma entrevista, que qualquer minoria tem que se submeter à “maioria” – leia-se: aos interesses do homem heterossexual, branco, cristão e rico, assim como o próprio deputado. Sua fala também se afirma extremamente preconceituosa e homofóbica: “Ninguém gosta de homossexual, a gente suporta”.

Em meio a todas essas questões, sou tomada por um certo receio, insegurança e, ao mesmo tempo, uma esperança. Eu discordo de todos os posicionamentos ideológicos de Bolsonaro, e vejo como totalmente absurdo ele defender a ditadura, a tortura e o fato de ele enunciar discursos de cunho racista e homofóbico. Apesar disso, mesmo me esforçando, ainda não consigo compreender como existem pessoas que podem concordar com estas opiniões. A questão é se, mesmo concordando com ele, vale a pena apoiá-lo diante de tudo que tem sido pontuado. No fim das contas, é importante refletir: será mesmo que o Bolsonaro te representa e defende aquilo que você gosta de ouvir?

Em tempo, é importante reforçar que nós sonhamos com um só desfecho: a derrota de Bolsonaro.

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