A história de Michelle

Michelle Obama. Minha história. Objetiva, 2018.

14398_ggMichelle Robinson Obama nasceu em Chicago; estudou na Universidade de Princeton e na Escola de Direito de Harvard. Sua carreira como advogada teve início na renomada firma de advocacia Sidley & Austin, local onde Michelle conheceu seu futuro marido, Barack Obama. Depois, a intelectual negra também trabalhou na prefeitura de Chicago e atuou como vice-presidente do Centro Médico da Universidade de Chicago. Posteriormente, foi diretora da Public Allies, uma ONG voltada para a preparação de jovens para a carreira pública. A advogada ocupou o cargo de primeira-dama dos Estados Unidos entre 2009 e 2017. Segundo uma pesquisa recente para o ranking anual promovido pelo Instituto YouGov, Michelle Obama se tornou a mulher mais admirada do mundo, em 2019.

Em Minha história (Becoming, no título original), Michelle narra sua trajetória, desde sua infância e adolescência em um apartamento pequeno no bairro periférico de South Shore até sua saída oficial da Casa Branca. A autora narra detalhes de sua extraordinária trajetória em um tom leve e agradável, mas que, quando necessário, torna-se grave. Estes momentos de infortúnio – episódios de racismo, de violência, de morte, etc. – estão presentes no livro, pois fazem parte da vida em sua face mais brutal. Minha história traz a realidade tal como é, ao mesmo tempo que presenteia seu leitor com um caminho de esperança. O livro é dividido em três seções: “A história começa”, que compreende a infância e a juventude da autora; “A nossa história”, que aborda a vida de Michelle a partir do momento em que se casa; e “Uma história maior”, que narra da eleição de Barack como presidente em diante.

No prefácio, a autora diz que sua mãe, Marian, a ensinou a “pensar com sua própria cabeça e a usar sua voz”. A determinação, seja como uma característica aprendida ou inata, se faz presente em diversos momentos da narrativa, como, por exemplo, na situação em que Michelle, no jardim de infância, esqueceu como se soletrava a palavra “branco”. A então menina passou a noite inconformada, treinando a soletração da fatídica palavra e, no dia seguinte, exigiu da professora uma “revanche”. Retornou para casa com sua estrelinha de papel grudada na roupa e a cabeça erguida.

No começo do último ano do ensino médio, Michelle foi à sua primeira entrevista obrigatória com uma orientadora, cujas características físicas a autora não se recorda por ter se detido, unicamente, na “orientação” recebida. A autora tinha se formado entre os 10% melhores alunos da turma e entrado para uma organização, National Honor Society, que concede reconhecimento aos melhores estudantes do ensino médio nos Estados Unidos; no entanto, ouviu da mentora que “não sabia bem se ela era o tipo de Princeton”. Michelle não deixou que esse julgamento equivocado derrubasse seus planos e sua autoconfiança e foi aprovada em Princeton, posteriormente.

Em um certo momento da narrativa, após seu casamento, Michelle se vê diante de um dilema: queria ter uma carreira independente e, ao mesmo tempo, ter a estabilidade de mãe e esposa; queria ter uma vida profissional e uma vida doméstica, sem o prejuízo de qualquer uma delas. Para conseguir essa façanha, a advogada contou com a ajuda da mãe, de amigos próximos e de algumas praticidades proporcionadas pela vida contemporânea que lhe permitiram realizar esse verdadeiro malabarismo.

Quando já era primeira-dama, novas questões acerca de sua nova “ocupação” surgiram: de que maneira ela poderia atuar a fim de promover mudanças significativas para a população? Sendo a única primeira-dama afro-americana da história, Michelle sabia que teria de trabalhar em dobro para conquistar a identificação de muitos americanos. Sua primeira medida foi a implementação de uma horta na Casa Branca, com o objetivo de promover um debate sobre nutrição e saúde pública. Tal iniciativa culminou no programa Let’s move, que apresentou resultados fantásticos: 45 milhões de crianças consumiam lanches e almoços mais saudáveis, entre outros.

Um ponto interessante da biografia é trazer a realidade, a vida como ela é. Michelle não deixa de expor os inúmeros casos de pessoas negras, jovens em sua maioria, assassinadas pela polícia racista americana. A autora também aborda o atentado ocorrido contra a comunidade religiosa de Mother Emanuel, em Charleston, por motivações raciais. Nove pessoas foram assassinadas nesta ocasião.

Por fim, Minha história conduz o leitor por uma saga formidável e inspiradora. Nos últimos capítulos, a autora discorre brevemente sobre a atual situação política dos Estados Unidos e alerta para o perigo da desesperança. Sua obra traz, além de momentos emocionantes e deleitosos, um ensinamento de otimismo e determinação por meio de uma história de vida. Se Michelle tivesse acatado o conselho de sua orientadora de não se candidatar à Princeton, talvez não tivéssemos tido a única primeira-dama negra a pisar na Casa Branca.

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